QUEM É IDEVÂNIO CARVALHO?...

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Gênesis 18:13. Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA - CRONOLOGIA DOS FATOS


PADRE CÍCERO
 CRONOLOGIA DOS FATOS

         A FAZENDA TABULEIRO GRANDE (FUTURO JUAZEIRO DO NORTE)
Em 1827 no dia 15 de Setembro é lançada a pedra fundamental da Capela de N. Srª das Dores pelo Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, no local denominado Tabuleiro Grande, em frente a três pés de Juazeiro, na estrada real que ligava Crato a Missão Velha, próximo ao rio Salgadinho. Esta é a origem de Juazeiro do Norte.
A denominação deve-se justamente à árvore, notável por manter-se verdejante no rigor das maiores secas. Juazeiro é palavra tupi-portuguêsa: juá ou iu-à e "fruto de espinho” (em virtude da grande quantidade de espinhos que defendem os ramos da árvore), mais o sufixo eiro.

          NASCIMENTO DE PADRE CÍCERO ATÉ SUA ORDENAÇÃO SACERDOTAL

24 de março de 1844 na cidade do Crato nasce Cícero Romão Batista filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô.
08 de abril de 1844, Cícero Romão foi batizado na Igreja Matriz de N. Srª da Penha em Crato.
15 de Agosto de 1851, Cícero faz sua Primeira Eucaristia, oficiada pelo padre Manoel Joaquim Aires, na matriz de Crato, no dia consagrado à Nossa Senhora da Assunção, com a presença dos pais, familiares e amigos
01 de março de 1860: foi matriculado no Colégio do renomado Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras na Paraíba.
28 de junho de 1862 devido a morte de seu pai vítima de cólera-morbo. A morte de seu pai o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto de sua mãe e das duas irmãs solteiras na cidade do Crato. A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérias dificuldades financeiras à família.
Em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário da Prainha, em Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o coronel Antônio Luís Alves Pequeno.
30 de Novembro de 1870 Padre Cícero foi ordenado. Após sua ordenação retornou a Crato e, enquanto o bispo não lhe dava paróquia para administrar, ficou a ensinar latim no Colégio Padre Ibiapina, fundado e dirigido pelo professor José Joaquim Teles Marrocos, seu primo e grande amigo.

CHEGADA DE PADRE CÍCERO AO JOASEIRO (JUAZEIRO)

No Natal de 1871, convidado pelo professor Simeão Correia de Macedo, Padre Cícero visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro (numa fazenda localizada na povoação de Juazeiro, que pertencia a cidade de Crato), e ali celebrou a tradicional missa do galo. O padre visitante, de 28 anos de idade, estatura baixa, pele branca, cabelos louros, penetrantes olhos azuis e voz modulada, impressionou os habitantes do lugar.
11 de abril de 1872, lá estava de volta, com bagagem e família, para fixar residência definitiva no Juazeiro.
18 DE AGOSTO DE 1884 Padre Cícero Inauguração a nova igreja de Nossa Senhora das Dores, no Juazeiro em solenidade presidida pelo segundo bispo do Ceará, dom Joaquim Vieira, futuro algoz do capelão juazeirense. Neste mesmo ano Segundo o Padre Cícero, tiveram início os êxtases de Maria de Araújo.

OS FENÔMENOS DA HÓSTIA EM SANGUE COM A BEATA MARIA DE ARAÚJO

No dia 01 de março de 1889 ocorre a Primeira transformação da hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo
No ano de 1889, durante uma missa celebrada pelo padre Cícero, a hóstia ministrada pelo sacerdote à beata Maria de Araújo se transformou em sangue na boca da religiosa. Segundo relatos, tal fenômeno se repetiu diversas vezes durante cerca de dois anos. Rapidamente espalhou-se a notícia de que acontecera um milagre em Juazeiro.
A pedido de padre Cícero a diocese formou uma comissão de padres e profissionais da área da saúde para investigar o suposto milagre. A comissão tinha como presidente o padre Clicério da Costa e como secretário o padre Francisco Ferreira Antero, contava, ainda, com a participação dos médicos Marcos Rodrigues Madeira e Ildefonso Correia Lima, além do farmacêutico Joaquim Secundo Chaves. Em 13 de outubro de 1891, a comissão encerrou as pesquisas e chegou à conclusão de que não havia explicação natural para os fatos ocorridos, sendo portanto um milagre.
Insatisfeito com o parecer da comissão, o bispo Dom Joaquim José Vieira nomeou uma nova comissão para investigar o caso, tendo como presidente o padre Alexandrino de Alencar e como secretário o padre Manoel Cândido. A segunda comissão concluiu que não houve milagre, mas sim um embuste.
Dom Joaquim se posicionou favorável ao segundo parecer e, com base no mesmo, suspendeu as ordens sacerdotais de padre Cícero e determinou que Maria de Araújo fosse enclausurada.
01.03.1889: Primeira transformação da hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo.
07/07/1889: Primeira romaria ao Juazeiro, organizada pelo vigário de Crato, monsenhor Francisco Monteiro, que anunciou o milagre para três mil pessoas na igreja de Nossa Senhoras das Dores, deixando Padre Cícero contrariado.
19.08.1889: Maria de Araújo disse que Jesus lhe havia aparecido na capela de Nossa Senhora das Dores. Padre Cícero deu a comunhão a Maria de Araújo, em cuja boca a hóstia se transformou em sangue.
21.08.1889: Na missa celebrada pelo Padre Cícero, Jesus teria dito a Maria de Araújo que faria de Juazeiro porta do céu "para os puros e os justos". Mons. Monteiro declarou que Maria de Araújo era santa.
04.11.1889: O bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, pediu ao Padre Cícero explicações sobre os fatos de Maria de Araújo.
07.01.1890: O Padre Cícero respondeu ao bispo sobre os fenômenos verificados em Maria de Araújo.
27.04.1890: O Padre Sother teria dado crucifixo de bronze a Maria de Araújo para ela rezar, e o crucifixo sangrou. (Ver 27.09.1891.)
26.03.1891: O Médico Marcos Rodrigues Madeira fez exame da hóstia em sangue e na forma de coração naboca da beata Maria de Araújo.
29.04.1891: Em rede, a beata Maria de Araújo estava em sangue e com as feridas de Jesus no corpo.
15.05.1891: O juiz de direito de Barbalha, João Firmino de Holanda, veio ver uma transformação da hóstia.
19.07.1891: Comissão de inquérito (Padre Clycério da Costa Lobo e Padre Francisco Ferreira Antero) constituída por Dom Joaquim José Vieira para verificar os fatos em Juazeiro.
09.09.1891: Maria de Araújo e mais 19 testemunhas foram ouvidas pela Comissão.
10.09.1891: Na igreja. Padre Clycério convocou 23 testemunhas (padres, leigos) da comunhão reservada a Maria de Araujo. Três comunhões. Três transformações da hóstia em sangue.
10.09.1891: Na casa do Padre Cícero. A beata Maria de Araújo estava em rede, e o corpo sangrava.
11.09.1891: A hóstia transformou-se em sangue.
12.09.1891: A hóstia transformou-se em carne viva.
24.09.1891: O Padre Clycério deu a comunhão a Maria de Araujo. A hóstia sangrou.
Os médicos Ignácio de Sousa Dias e Marcos Rodrigues Madeira deram atestado do fato como sobrenatural.
27.09.1891: O Padre Quintino (de Crato) mostrou-se propenso a acreditar nos fenômenos como milagres. O Padre Sother igualmente. (Ver 27.04.1890.)
28.04.1891: Casa de Caridade de Crato. Cinco mulheres testemunhas dizem que os fenômenos são milagres. Duas hóstias apareceram entre os dedos da mão direita da beata para comunhão dos padres Clycério e Antero. Minutos depois, mais duas hóstias, que continuaram sangrando nas mãos dos padres.
20.04.1892: O Padre Alexandrino (e o Padre Manoel Cândido, da segunda Comissão de Inquérito) deixou Maria de Araújo 16 minutos de boca aberta. Não houve transformação.
21.04.1892: A beata ficou 15 minutos de boca aberta. Não houve transformação.
22.04.1892: A beata ficou 15 minutos de boca aberta. Não houve transformação.
06.08.1892: Portaria de Dom Joaquim suspendeu de ordens o Padre Cícero. O Padre Alexandrino fez a comunicação.
25.03.1893: Carta Pastoral de Dom Joaquim obrigou os párocos a negar como milagres os fatos de Juazeiro.
07.1893: O Cardeal Mônaco, em Roma, recebeu a documentação remetida por Dom Joaquim.
03.07.1893: Recepção em Juazeiro ao Padre Antero, vindo de Roma.
10.11.1893: Portaria de Dom Joaquim proibiu qualquer função religiosa em Juazeiro.
14.11.1893: Carta anônima comunicou a Dom Joaquim a intenção que tinha José Marrocos de pedir ao Vaticano a vinda de comissão de inquérito. Dom Joaquim passou a informação ao Cardeal Dom GirolamoGotti, Internúncio em Petrópolis.
04.04.1894: A Congregação do Santo Ofício impôs penitência a Maria de Araújo; proibiu visitas a ela e qualquer publicação dos fenômenos; impôs silêncio acerca dos fenômenos e a incineração dos panos e das hóstias ensangüentados.
25.07.1894: Carta Pastoral de Dom Joaquim censurava o Padre Cícero de abusar da simplicidade dos católicos, declarava-o desobediente e impunha ao detentor dos panos e das hóstias que os devolvesse sob pena de excomunhão.
25.09.1894: O Padre Cícero mandou a beata Maria de Araújo para a Casa de Caridade de Barbalha.
25.12.1894: O Padre Cícero pediu ao Santo Ofício ser ouvido (ser interrogado por ele). Não foi atendido.
01.11.1895: Cinco homens tentaram matar de faca o Padre Cícero. Ação frustrada pelos romeiros.
13.04.1896: Portaria de Dom Joaquim proibiu o Padre Cícero de construir a igreja do Horto e de celebrar missa.
26.06.1896: O Padre Cícero telegrafou à Santa Sé pedindo a vinda de comissão a Juazeiro para investigar os fatos.
04.07.1896: Sem reposta ao telegrama, o Padre Cícero renovou o pedido. Foi censurado pela cobrança de resposta.
31.07.1897: Carta Pastoral de Dom Joaquim dizia que a beatas negaram o que haviam afirmado e que o Padre Antero se desdissera.
02.1898: O Padre Cícero embarcou em Recife a Roma.
25.02.1898: O Padre Cícero chegou a Roma.
23.04.1898: O Padre Cícero apresentou-se ao Santo Ofício.
17.08.1898: Saiu à decisão do Santo Ofício. Linguagem ambígua, interpretável pró ou contra o Padre Cícero. Dom Joaquim interpretou a decisão contra o Padre Cícero.
12.10.1898: O Padre Cícero embarcou de volta para o Brasil.
13.11.1898: O Padre Cícero desembarcou em Fortaleza.
26.12.1898: Dom Joaquim escreveu a quarta Carta Pastoral. Mantinha-se contra os fatos de Juazeiro.
02.1899: O Padre Cícero foi morar em Crato.



SEDIÇÃO DE JUAZEIRO E PADRE CÍCERO 1º PREFEITO

23.04.1909: Chega a Juazeiro o Dr. Floro Bartolomeu e Dr. Conde Adolfo Van denBrule. No mesmo período o Padre Cícero foi a Petrópolis falar com o Internúncio Alessandro Bovona.
18.07.1909: Primeira edição do periódico O Rebate, fundado para defesa política de Juazeiro.
26.08.1909: O Bispo Auxiliar (do Ceará) Dom Manoel Antônio de Oliveira veio ao Cariri. Em Crato, o orador oficial, Padre Antônio Tabosa Braga, abriu o discurso chamando o povo do Crato "nobre e altivo" e "imundo o povo do Juazeiro".
14.08.1910: José Joaquim Teles Marrocos faleceu.
18.02.1911: Crato e Juazeiro fizeram acordo de paz política para independência de Juazeiro.
 
 22.07.1911: A Lei n.°1.028 (estadual) deu autonomia política a Juazeiro.
04/10/1911: Solenidade de posse do Padre Cícero como primeiro prefeito do Juazeiro, nomeado pelo governador Nogueira Acioli, seguida da assinatura do “Pacto dos Coronéis” pelos principais chefes políticos do Cariri.
04/10/1911: Solenidade de posse do Padre Cícero como primeiro prefeito do Juazeiro, nomeado pelo governador Nogueira Acioli, seguida da assinatura do “Pacto dos Coronéis” pelos principais chefes políticos do Cariri.


         CONFLITO DE 14 (CHAMADO DE GUERRA DE 14 )

O deputado federal Floro Bartolomeu, aliado de Pinheiro Machado (Senador), montou um batalhão para defender Padre Cícero, seu amigo pessoal. O grupo era formado por jagunços e romeiros, era a união da força de Floro com o carisma de Cícero. 
O conflito envolveu, de um lado, o novo governador eleito, Franco Rabelo e as tropas legalistas, e de outro as tropas de jagunços comandadas por Floro Bartolomeu, apoiadas pelo padre Cícero e pelos coronéis da região do Cariri.
A Guerra civil que tomou conta do Ceará entre dezembro de 1913 e março do ano seguinte refletiu a situação da política interna do país, caracterizada pela disputa das oligarquias pelo poder. A vida política brasileira era marcada pelo predomínio de poucas famílias no comando dos estados; as oligarquias utilizavam-se da prática do coronelismo para manter o poder político e econômico.
Janeiro de 1912:  a "Política de Salvações" do presidente Hermes da Fonseca atingiu o Ceará. A prática intervencionista acompanhada de um discurso moralizador serviu para derrubar o governador Nogueira Acciolly, representante das oligarquias tradicionais do estado, em especial da região do Cariri, no poder a quase 25 anos. 
Abril de 1912: É eleito o coronel Franco Rabelo como novo governador do Ceará, representando os grupos intervencionistas e os interesses dos comerciantes. Franco Rabelo rompe com o Partido Republicano Conservador (PRC), e iniciou uma perseguição a Padre Cícero, destituindo-o dos cargos que exercia e ordenando a prisão do sacerdote. 
9 .12. 1913: Inicia-se o movimento armado, quando os jagunços invadiram o quartel da força pública e tomaram as armas. Nos dias que se seguiram à população da cidade organizou-se e armou-se, construindo, em apenas uma semana, uma grande vala ao redor da cidade, chamada de "Círculo da Mãe de Deus", como forma de evitar uma possível invasão.
15.12.1913: Dr. Floro proclamou-se governador paralelo.O Cap. Ladislau, das forças estaduais vindas de Fortaleza contra Juazeiro, avisou a Dr. Floro estar saindo de Crato para o ataque com 600 homens.
19.12.1913:A força estadual foi reforçada com mais 500 homens sob o comando do Cel. do Exército Alípio Lopes.
20.12.1913:As tropas vindas de Crato atacaram Juazeiro. Foram barradas pelo valado(vala feita com 2 m de profundidade por 3 de largura para deter os combatentes do estado). Os soldados começaram a debandar.
17.01.1914: Maria de Araújo faleceu.
22.01.1914 :O Cap. Ladislau, ressacado, retirou definitivamente as tropas: reconheceu estar vencido.
23.01.1914: Os combatentes de Juazeiro venceram Crato. O Crato é Saqueado pelas tropas de Dr. Floro Bartolomeu da Costa.
27.01.1914: Os combatentes de Juazeiro tomaram Barbalha. Outro Saque.
Marchavam sobre Fortaleza para depor o governador, Franco Rabelo.
14.02.1914: Tomada de Iguatu, também saqueada (depois de Lavras, Jucás).
25.02.1914:Tomada de Senador Pompeu. Saque.
27.02.1914:Tomada de Quixeramobim. Saque.
01.03.1914:Tomada de Quixadá. Saque.
06.03.1914:Tomada de Baturité. Saque.
15.03.1914:Fortaleza estava vencida.
24.04.1914:O Padre Cícero foi nomeado novamente prefeito de Joaseiro pelo Governador Setembrino de Carvalho.
13.05.1914:O Padre Cícero foi eleito primeiro vice-governador.Dr. Floro foi confirmado presidente da Assembléia Legislativa.

JUAZEIRO E PADRE CÍCERO DEPOIS DO CONFLITO

05/08/1914: Falecimento no Juazeiro de Joaquim Vicência Romana, Dona Quinô, mãe do Padre Cícero, depois de sentir ligeira indisposição logo cedo, assistida por sua enfermeira que a encontrou morta quando foi lhe servir o almoço.
20.10.1914: Bento XV autorizou a fundação da Diocese de Crato.
12.07.1916: O Santo Ofício excomungou o Padre Cícero, Porém o decreto da excomunhão não chegou ao conhecimento do Padre Cícero.
23.12.1916: Dom Quintino visitou Juazeiro (primeira vez).
21/01/1917: Criada a paróquia do Juazeiro, por ordem expedida em Roma desde 1898, mas não cumprida durante esse tempo todo pelo bispo do Ceará, dom Joaquim Vieira, algoz do Padre Cícero, sendo nomeado primeiro vigário padre Pedro Esmeraldo.
20.04.1920: Dr. Floro leu a íntegra da excomunhão que fora envida ao Padre Cícero por meio de Dom Quintino. Tomou providências para que não fosse executada por motivo da abalada saúde do Padre Cícero.
23.02.1921: O Santo Ofício determinou a Dom Quintino (bispo de Crato) absolver de censuras o Padre Cícero e admiti-lo a confissão e a comunhão como leigo.
04.06.1921: O Padre Cícero recebeu o decreto de Dom Quintino proibindo-o de exercer funções sacerdotais. O Padre Cícero acabava de celebrar a missa na igreja de Nossa Senhora das Dores. Foi a última missa que ele celebrou.
12.1924: O Padre Cícero escreveu ao Padre Rota manifestando o desejo de um colégio salesiano em Juazeiro.
09.01.1926: O Batalhão Patriótico (1.000 homens) formado por Dr. Floro para combater a Coluna Prestes postou-se à frente da casa do Padre Cícero e ao comprido da rua.
27.01.1926: O Santo Ofício escreveu a Dom Quintino informando que receberia qualquer recurso do Padre Cícero.
07.03.1926: Lampião deixou Juazeiro, depois de Padre Cícero conversar com ele num sobrado na rua Boa Vista, Lampião veio chamado por Dr. Floro para combater a Coluna Prestes. È nesse período que lampião recebe uma patente falsificada pelo Dr, Huchoa, funcionário Público federal da coletoria e da agricultura.
08.03.1926: Dr. Floro faleceu no Rio de Janeiro. Joana Tertuliana de Jesus (Mocinha) passa a ser a chefe administrativa na casa de Padre Cícero, ela chefiava as finanças da casa.
07.11.1926: O trem chegou a Juazeiro pela primeira vez.
22/10/1930: Destruído o túmulo da Beata Maria de Araújo, na Capela do Socorro, no Juazeiro, por ordem do vigário Monsenhor Alves de Lima, para satisfazer o então bispo do Crato, dom Quintino Oliveira, deixando o Padre Cícero muito abalado. O Padre Cícero registrou no Cartório Machado a violação do túmulo de Maria de Araújo procedida por ordem do Mons. José Alves de Lima sem ordem judicial
17.01.1934: O Padre Cícero doou à Diocese de Crato bens avaliados em 340 contos de réis.
19/07/1934: Agravamento da saúde do Padre Cícero, que sofre intensas dores intestinais e passa o dia assistido pelo padre Pedro Esmeraldo, pelos médicos Mozart de Alencar, Elísio de Figueiredo e Pio Sampaio e pelo farmacêutico José Geraldo da Cruz.

MORTE DE PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

20/07/1934: Falecimento do Padre Cícero Romão Batista, aos 90 anos, vítima de uma crise de imobilidade intestinal irreversível, depois de dizer suas últimas palavras da Beata Moacinha: “No Céu, vou rogar a Nossa Senhora por vocês todos”.
21/07/1934: Sepultamento do corpo do Padre Cícero, no Juazeiro, na Capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, depois do cortejo fúnebre saído de sua casa reunindo aproximadamente 60 mil pessoas do Cariri e do Nordeste brasileiro.
A foto abaixo foi tirando quando o caixão com o corpo do Padre Chegava na capela, a foto é do dia 21 de julho de 1934.


RECONCILIAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA
  APOSTÓLICA ROMANA COM O 
    PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

Foto: Elizangela Santos, do jornal Diário do Nordeste. 

13/12/2015: A Igreja Católica se reconcilia historicamente com o padre Cícero Romão Batista. O bispo do Crato recebeu carta do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, a pedido do papa Francisco, RECONCILIANDO o Padre Cícero com a Igreja Católica. O documento datado do dia 20 de Outubro de 2015 foi lido pelo Bispo Dom Fernando Panico durante a homilia na manhã do dia 13 de Dezembro na Catedral da Sé na Cidade de Crato, cidade natal de Padre Cícero durante a Celebração da Santa Missa.

Dom Fernando Panico informou que "Hoje, por ocasião da abertura solene da Porta Santa da Misericórdia nesta Catedral de Nossa Senhora da Penha, quero anunciar com alegria, à querida Diocese de Crato e aos romeiros e romeiras do Juazeiro do Norte, um gesto concreto de misericórdia, de atenção e de carinho por parte do Papa Francisco para nós: a igreja Católica se reconcilia historicamente com o padre Cícero Romão Batista".

Na correspondência constam vários tópicos, dos quais alguns são reproduzidos, a seguir, textualmente:

 “Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, por em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.
† “É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”. 

† “Deixou marcas profundas no povo nordestino a intensa devoção do Padre Cícero à Virgem Maria” no seu título de “Mãe das Dores e das Candeias” (...) Como não reconhecer, Dom Fernando, na devoção simples e arraigada destes romeiros, o sentido consciente de pertença à Igreja Católica, que tem na Mãe de Jesus Cristo um dos seus elementos mais característicos?

† “A grande romaria do dia de Finados, iniciada pelo Padre Cícero, transmite a dimensão escatológica da existência humana. Pois, como afirma o documento de Aparecida, Nossos povos (...) têm sede de vida e felicidade em Cristo. (...)

† “Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanhá-los e de ajuda-los na vivência da sua fé”.

† “No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”.

† “O afeto popular que cerca a figura do Padre Cícero pode constituir um alicerce forte para a solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (...). Portanto, é necessário, neste contexto, dirigir nossa atenção ao Senhor e agradecê-lo por todo o bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero”.

† “Assim fazendo, abrem-se inúmeras perspectivas para a evangelização, na linha desta recomendação do Documento de Aparecida; “Deve-se dar catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular”. (Documento de Aparecida, 300).

† “Ao mesmo tempo que me desempenho da honra de transmitir uma fraterna saudação do Santo Padre a todo o povo fiel do sertão do Ceará, com os seus Pastores, bendizendo a Deus pelos luminosos frutos de santidade que a semente do Evangelho faz brotar nestas terras abençoadas, valho-me do ensejo para lhe testemunhar minha fraterna estima e me confirmar de Vossa Excelência Reverendíssima devotíssimo no Senhor

Pietro Cardeal Parolin
Secretário de Estado de Sua Santidade

Vaticano, 20 de outubro de 2015.




VATICANO AUTORIZA INÍCIO DE PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO DE PADRE CÍCERO


20 de Agosto de 2022




Foto: Divulgação rede social: facebook.com/MaedasDoresJuazeiro


       
Na data de hoje, 20 de agosto, durante a celebração matinal da Missa em sufrágio da alma do Padre Cícero, conhecido como Missa do Padre Cícero ou Missa do dia 20, que é celebrada ao lado capela do Socorro (capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro), pelo Bispo Dom Magnus Henrique da Diocese de Crato e por padre da Basílica de Nossa Senhora das Dores (Paróquia Matriz de Nossa Senhora das Dores)  e clero convidado foi feito o seguinte comunicado:

"Queridos filhos e filhas da Diocese do Crato, romeiros de todo Brasil, é com grande alegria que eu vos comunico nesta manhã histórica que recebemos oficialmente da Santa Sé, por determinação do santo padre, o papa Francisco, uma carta do dicastério para a causa dos santos, datada do dia 24 de junho de 2022. Recebemos a autorização para a abertura do processo de beatificação do padre Cícero Romão Batista que, a partir de agora, receberá o título de servo de Deus", disse Dom Magnus Henrique Lopes.
O pedido para a autorização da beatificação foi solicitado por Dom Magnus Henrique Lopes , através de uma carta entregue ao papa Francisco durante a visita ao Vaticano, em maio deste ano. 

"Recorremos a vossa solicitude de pastor universal da santa igreja para pedir especial clemência para com este sacerdote católico, amado, exonerado. Esperamos que Vossa Santidade, na hora oportuna, examine, com o coração de pai e como sucessor de Pedro, este pedido ora formulado, cuja resposta é um anseio nosso e dos milhões de devotos do padre Cícero", diz um trecho da carta entregue por Dom Magnus ao papa Francisco.

Em 2015, o Vaticano reconciliou padre Cícero com a Igreja Católica, atendendo a um pedido do bispo Dom Fernando Panico. Com a medida, caíram os impeditivos à abertura de um processo de beatificação do sacerdote, considerado santo pela população local.

COMO VAI SER O PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO DO PADRE CÍCERO?

Beatificação (do latim beatus, abençoado, pelo termo grego μακαριος, makarios) é o ato de atribuir o estatuto de Beato a alguém. É considerada um passo no sentido da canonização (ser declarado santo).
Atualmente as Dioceses têm autoridade para abrir um processo de beatificação. A causa de beatificação possui um bispo postulador, que atua como uma espécie de advogado, que investiga a vida do candidato para verificar seu testemunho de santidade. Uma vez iniciado o processo, o candidato recebe o título de Servo de Deus. Na fase inicial, investiga-se as virtudes ou o martírio. Neste último caso, investiga-se as circunstâncias da morte em detalhes. Concluído o processo com parecer positivo, a pessoa é declarada Venerável.
Para tornar-se beato, é necessária a comprovação de um milagre por sua intercessão. Esta condição é dispensada em caso de martírio. Uma vez atingida a condição de beato, procede-se o processo de canonização.